
O governo do Peru fechou um acordo técnico com a Lockheed Martin para aquisição dos caças F-16 Block 70. Entretanto, embora tenha sido celebrado por Washington, o contrato imediatamente incendiou uma crise política em Lima.
Segundo relato do site Defence Blog, tudo começou em 2024, quando o Peru lançou um processo formal de licitação competitiva. A Lockheed Martin respondeu com uma proposta para o F-16 Block 70 e, após um ano e meio de negociações, o acordo técnico foi finalmente assinado em 20 de abril de 2026.
Todo o processo foi mantido em sigilo pela Lockheed, a pedido do governo peruano, que deixou para Lima compartilhar atualizações de sua própria aquisição nacional. O anúncio foi feito em uma cerimônia técnica na Base Aérea De Las Palmas, com a assinatura oficial programada para o mesmo dia no Palácio Presidencial.
Funcionários do governo dos EUA e executivos seniores da Lockheed Martin já estavam presentes no local, mas a assinatura acabou sendo adiada. Uma assinatura técnica entre partes autorizadas finalmente ocorreu no início da semana, com o que os EUA descreveram como plena conscientização dos mais altos níveis do governo peruano.
O adiamento, de acordo com o Defence Blog, foi causado por uma declaração pública do presidente peruano José María Boluarte, que afirmou, em 17 de abril, que não queria assumir a responsabilidade pela aquisição do caça e não permitiria que o governo prosseguisse com ele.
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O anúncio de Boluarte imediatamente incendiou o gabinete, gerando muitas críticas até de membros do próprio governo. A assinatura aconteceu de qualquer forma, mas as ramificações políticas também foram imediatamente desenvolvidas.
Após o anúncio da assinatura, o Ministro da Defesa e o Ministro das Relações Exteriores do Peru renunciaram. Agora, a mídia peruana está relatando que o próprio presidente pode enfrentar um impeachment, embora seu mandato termine somente em julho de 2026.
No centro da polêmica está o caça F-16 Block 70, a mais nova e mais capaz variante de produção da plataforma F-16. No caso da ordem do Peru, os Estados Unidos se ofereceram para incluir dois sistemas de armas que nunca foram integrados anteriormente em um F-16, uma personalização feita especificamente para atender aos requisitos operacionais declarados do Peru.
Para Washington, no entanto, esses atrasos representaram custos significativos. “Atualmente, cada atraso resulta em um custo adicional significativo para os parceiros da indústria. O mesmo pacote não estará disponível em alguns meses, ou mesmo algumas semanas, devido ao aumento dos custos do fornecedor e do interesse de outros países”, disse o embaixador dos EUA, Navarro.
Essa pressão moldou a linha do tempo de maneiras que agora são visíveis na crise política desenrolada em Lima. O lado dos EUA pressionou por uma decisão, ao passo em que o governo peruano, enfrentando instabilidade política com um presidente que se recusava a apoiar a aquisição, decidiu assinar de qualquer maneira.
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